Abstract
Introdução: O uso racional de medicamentos compreende, além da prescrição e adesão ao tratamento, práticas adequadas de armazenamento, descarte e manejo da farmacoterapia. Em situações de polifarmácia, especialmente em pacientes portadores de múltiplas doenças crônicas, há maior risco de erros, complicações e desfechos negativos relacionados ao uso de medicamentos1-2. Nesse contexto, a visita domiciliar farmacêutica constitui uma ferramenta clínica capaz de identificar fragilidades no processo de cuidado e de implementar intervenções educativas direcionadas à promoção da segurança terapêutica³. Objetivo: Relatar a experiência de visitas domiciliares farmacêuticas destinadas à avaliação do armazenamento e descarte de medicamentos e à implementação de intervenções voltadas ao uso racional em pacientes com condições crônicas e polifarmácia. Descrição do relato: Trata-se de um relato de experiência sobre duas visitas domiciliares realizadas por estudantes de Farmácia com um agente comunitário de saúde. A primeira teve caráter diagnóstico, coletando dados clínicos e sobre medicamentos; 15 dias depois, a segunda focou na execução de intervenções farmacêuticas necessárias. Na primeira visita, foram constatadas doenças crônicas não transmissíveis (diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, dislipidemia e obesidade) manejadas com dez medicamentos, caracterizando polifarmácia. Foi observado a não compreensão do plano terapêutico, dificuldades para lidar com a complexidade do regime medicamentoso, além de dependência para administração dos fármacos. Constatou-se a falta de rodízio recomendado na administração de insulina o que justificava a dor recorrente em membro superior. Ademais, a insulina era armazenada inadequadamente, o que não garantia refrigeração. Além disso, havia medicamentos vencidos e desconhecimento sobre práticas corretas de descarte. Ainda na primeira visita, orientações referentes a estas discrepâncias foram realizadas. Na segunda visita, foram implementadas intervenções farmacêuticas para identificar o engajamento nas orientações propostas, tais como: armazenamento da insulina, educação quanto à técnica de aplicação e o rodízio dos locais de administração da insulina. Foi elaborado um calendário posológico personalizado, confecção de caixa para organização dos medicamentos e inclusão do cuidador no processo educativo. As intervenções permitiram corrigir práticas inadequadas, melhorar a adesão, reduzir desconfortos associados à insulinoterapia e aumentar a segurança no uso dos medicamentos. Conclusão: A experiência demonstrou que a visita domiciliar farmacêutica constitui uma forma para identificar e corrigir práticas inadequadas relacionadas ao uso de medicamentos, especialmente em situações de polifarmácia. As intervenções farmacêuticas implementadas contribuíram para otimizar a adesão, garantir maior segurança terapêutica e reduzir riscos associados ao manejo incorreto, evidenciando a importância da atuação clínica do farmacêutico em espaços domiciliares de cuidado.

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