Abstract
Introdução: O cuidado farmacêutico exige uma prática clínica centrada na pessoa, na qual o paciente deve ser assistido sob a perspectiva biopsicossocial, com atenção às suas experiências subjetivas com o uso de medicamentos e plantas medicinais. Assim, para que o(a) farmacêutico(a) possa assumir essa responsabilidade social, é fundamental que sua formação vá além do domínio técnico, incorporando também as dimensões humanísticas e socioculturais. A pesquisa qualitativa, especialmente a autoetnografia, pode ser uma via para a sensibilização e o desenvolvimento de empatia. Ao unir vivências pessoais e aspectos socioculturais, a autoetnografia permite uma compreensão aprofundada das experiências de vida, adoecimento e cuidado (1,2). Objetivo: Relatar as experiências de uma disciplina de autoetnografia e as vivências com esta metodologia como potencial para a formação de profissionais voltados para o cuidado farmacêutico. Descrição do relato: A disciplina, oferecida entre março e junho de 2025, reuniu sete estudantes e duas professoras para discutir artigos e capítulos de livros sobre os aspectos históricos, epistemológicos e metodológicos da autoetnografia. O curso também promoveu um encontro entre estudantes e profissionais interessados em explorar reflexões sobre a prática clínica do farmacêutico sob a ótica do pharmaceutical care (3). Como avaliação, os estudantes produziram escritos autoetnográficos que, com o feedback de todo o grupo, estimularam a autorreflexão, a empatia e a conexão interpessoal. Além das discussões, um documento colaborativo no Google Drive registrou as principais reflexões. A disciplina culminou com uma dinâmica coletiva de nuvem de palavras, buscando responder à questão central: "Como a autoetnografia pode contribuir para a formação de profissionais para o cuidado farmacêutico?". Os relatos revelam a percepção de uma subjetividade sequestrada pela lógica neoliberal e a autoetnografia como ferramenta de acesso a processos pessoais. Os relatos compartilhados apontam para um ocultamento coletivo da subjetividade frente à demanda por produtividade no cenário farmacêutico e acadêmico. Em contraste, a autoetnografia foi pontuada como uma ferramenta para a construção de competências clínicas, como empatia e competência cultural. A nuvem de palavras confirma que a autoetnografia é "construir nova ciência, novo mundo", "valorização da subjetividade", "reinventar o farmacêutico" e "humanizar o cuidado farmacêutico". Conclusão: A autoetnografia tem o potencial de promover o engajamento empático em profissionais de saúde, unindo teoria e prática. Isso permite novas perspectivas e reflexões sobre diversas realidades, impulsionando mudanças significativas na saúde individual e coletiva. Neste contexto, o resgate da subjetividade promovido pela autoetnografia pode contribuir para a formação de farmacêuticos(as) mais críticos(as), sensíveis, humanistas e reflexivos(as), compatível com a filosofia do cuidado centrado na pessoa.

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