PE - 039 Medicamento Oncológico Trastuzumabe Deruxtecana Recebido em Hospital Filantrópico no Interior do Rio Grande do Sul, uma Suspeita de Falsificação ou Irregularidade na Importação?

Keywords

Falsificação de medicamentos
Farmacovilância
Segurança do paciente e oncologia

How to Cite

de Azevedo Coimbra, M., & Campelo Miranda Herbelê, G. (2026). PE - 039 Medicamento Oncológico Trastuzumabe Deruxtecana Recebido em Hospital Filantrópico no Interior do Rio Grande do Sul, uma Suspeita de Falsificação ou Irregularidade na Importação?. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00301

Abstract

Introdução: A falsificação, descaminho ou importação irregular de medicamentos oncológicos representa risco grave à segurança dos pacientes, comprometendo eficácia terapêutica, que pode aumentar a toxicidade, e ainda, uma infração sanitária. O Trastuzumabe Deruxtecana (T-DXd) é um anticorpo conjugado de alto custo e tecnologia avançada, indicado para câncer de mama HER2-positivo metastático, sendo um potencial alvo de adulteração. Em 2025, identificou-se suspeita de falsificação/irregularida do medicamento T-DXd em um hospital filantrópico do interior do Rio Grande do Sul, demandando uma avaliação com ação imediata do profissional farmacêutico(a). Objetivos: Relatar os procedimentos/ações adotadas pelo farmacêutico(a) diante de suspeita de falsificação/irregularidade no medicamento T-DXd recebido a partir de uma compra judicial, descrevendo as etapas realizadas no serviço de oncologia, discutindo medidas preventivas e corretivas para garantir segurança do paciente e integridade terapêutica. Métodos: Relato de caso baseado na observação direta do farmacêutico(a). Paciente, uma usuária do SUS, em tratamento com T-DXd fornecido inicialmente pela Secretaria Estadual de Saúde, teve o fornecimento interrompido e obteve o medicamento por via judicial. O hospital filantrópico recebeu frascos importados, com embalagem em inglês e bula incompleta. Durante a reconstituição, observou-se alteração incompatível com o padrão já conhecido. O farmacêutico(a) em contato com a equipe médica que assiste a usuária suspendeu a aplicação, notificou a Coordenadoria Regional de Saúde, e essa por sua vez a Anvisa, o laboratório detentor do registro no Brasil para o medicamento também foi notificado, e recolheu um frasco como amostra para análise. Resultados: A inspeção visual revelou divergências na embalagem, que era em língua Inglesa, não possuía selo de segurança e nem tipografia, além da ausência de lote regularizado na ANVISA. O medicamento quando reconstituído se apresentou como uma solução leitoso-opaca persistente, incomum quando comparado a outros de procedência nacional, e uma parte não foi reconstituída. O representante do laboratório confirmou não se tratar de produto fabricado ou importado oficialmente por sua empresa. O caso foi notificado ao Sistema Nacional de Farmacovigilância, e o medicamento segregado para investigação. Conclusão: A atuação imediata do farmacêutico foi determinante para evitar a exposição da paciente a um produto ineficaz e potencialmente nocivo. O caso reforça a importância de inspeções rigorosas em medicamentos de alto custo, da rastreabilidade na cadeia de suprimentos e da capacitação técnica das equipes para identificação de sinais de falsificação. A integração entre serviços de saúde, vigilância sanitária, laboratórios e órgãos de segurança é essencial para prevenir e combater a falsificação de medicamentos oncológicos no Brasil.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00301
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