Abstract
Introdução: A hanseníase é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae, endêmica em várias regiões do mundo, incluindo o Brasil, que registrou 9.327 novos casos em 2024, sendo 119 em Mato Grosso do Sul (MS)1. A transmissão ocorre principalmente por indivíduos não tratados com alta carga bacilar, que eliminam o M. leprae através das vias aéreas superiores. O bacilo afeta primariamente os nervos periféricos e a pele, podendo acometer outros órgãos. A doença cursa com neuropatia em graus variados, podendo causar incapacidades físicas. O tratamento é realizado com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), composta por rifampicina, dapsona e clofazimina2,3. Casos mais complexos, a critério médico, podem ser encaminhados para Centros de Referência, para avaliação da necessidade de prescrição de outros medicamentos. Objetivos: O objetivo deste trabalho foi demonstrar o papel da Assistência Farmacêutica (AF) do estado de MS na avaliação das solicitações de tratamentos medicamentosos para hanseníase, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Métodos: Foram analisadas as solicitações de tratamento para hanseníase, realizadas de julho de 2024 a junho de 2025 pelos municípios do estado de MS para a AF estadual, bem como as intervenções realizadas pela AF. Leiam-se intervenções, as ações de contato realizadas pela AF com os responsáveis pelas solicitações ou com a Vigilância Epidemiológica Estadual, após avaliação dos pedidos e constatação da necessidade de revisão, considerando os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas Vigentes (PCDT). Não foram incluídos nas análises os pedidos de talidomida (medicamento solicitado em formulário específico). Após a obtenção dos dados, realizou-se análise estatística. Resultados: No período avaliado foram atendidas 657 solicitações, sendo que 136 demandaram intervenções pela AF (20,1%). As razões para a necessidade de ações pela AF foram a detecção de divergências/inconformidades nas informações prestadas no envio dos pedidos (89,7%) e a necessidade alteração/revisão dos tratamentos (10,3%), conforme o disposto nos PCDTs vigentes. Dentre as intervenções relativas aos esquemas de tratamento, a maioria era referente aos esquemas de segunda linha (92,8%). Nestes casos, após a verificação da necessidade de alteração/revisão da terapia medicamentosa, a AF estabeleceu como fluxo de trabalho a comunicação dos casos para a Vigilância Epidemiológica Estadual, que realizava papel de orientação aos responsáveis nos municípios. Conclusão: Os dados apresentados evidenciam a importância da AF na avaliação técnica voltada à melhoria da gestão de medicamentos e do manejo clínico. Destaca-se que a atuação integrada com as demais áreas técnicas envolvidas é essencial para eficácia da terapia medicamentosa. Além disso, os dados reforçam a necessidade contínua de capacitação dos profissionais responsáveis pela prescrição, solicitação e dispensação dos medicamentos utilizados no tratamento da hanseníase no âmbito do SUS.

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