Abstract
Introdução: O uso de produtos naturais na indústria farmacêutica tem ganhado destaque devido à busca por alternativas terapêuticas eficazes e seguras.1 O araçá (Psidium cattleianum) é uma fruta nativa do Brasil com propriedades medicinais, incluindo atividade antimicrobiana.2 Estudos indicam que extratos de suas folhas e frutos contêm flavonoides, taninos e outros metabólitos secundários com potencial terapêutico.3 Objetivo: Este estudo tem como objetivo avaliar a atividade antimicrobiana dos extratos de araçá contra bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, visando contribuir para o desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos e ampliar o conhecimento sobre o potencial farmacológico desta planta ao identificar seus principais metabólitos secundários. Material e Método: Foram preparados extratos vegetais do araçá-rosa utilizando solventes de diferentes polaridades (acetato de etila e metanol). Testes farmacognósticos foram realizados para identificação de metabólitos secundários, incluindo flavonoides, taninos, saponinas e alcaloides. A atividade antimicrobiana foi avaliada pelos métodos de difusão em ágar e difusão em ágar por cavidade (furo), com discos impregnados e volumes de 100 μL nas concentrações de 1000, 500 e 250 μg/mL, testados contra Staphylococcus aureus, Enterococcus e Escherichia coli4. Controles negativo (DMSO) e positivo (antibióticos comerciais) foram utilizados. Os halos de inibição foram medidos após 24 horas de incubação a 37°C. Resultados e Discussão: Os testes farmacognósticos revelaram alcaloides e taninos em ambos os solventes (Polar a apolar). Alcaloides foram confirmados por meio dos reagentes Bouchardat e Meyer, e taninos hidrolisáveis detectados por cloreto férrico e acetato de chumbo. Flavonoides positivos apenas no extrato metanólico, enquanto saponinas não foram detectadas. Antraquinonas mostraram resultados divergentes entre acetato de etila e metanol, exigindo mais estudos. Os testes antimicrobianos revelaram que o extrato metanólico apresentou halos de inibição de 20 mm para Staphylococcus aureus e 18-21 mm para Escherichia coli no método de furo. Para Enterococcus, foi observado um halo de 15 mm na concentração de 1000 μg/mL. Já o extrato de acetato de etila demonstrou halos entre 13-17 mm para S. aureus e 18-21 mm para E. coli, enquanto para Enterococcus, a atividade foi mais fraca, com halo de 18 mm nas concentrações mais baixas. Os controles positivos apresentaram halos superiores a 20 mm, enquanto o controle negativo (DMSO) não gerou halos de inibição. Os resultados corroboram estudos anteriores que apontam o potencial do araçá como uma fonte promissora de compostos naturais com ação antibacteriana.5 No entanto,
a maior suscetibilidade das Gram-positivas provavelmente está relacionada à menor complexidade estrutural da parede celular e à maior acessibilidade dos compostos ativos. Conclusões: O estudo demonstrou que os extratos do araçá possuem atividade antimicrobiana significativa, especialmente contra bactérias gram-positivas. Os compostos bioativos identificados podem representar uma alternativa natural para o desenvolvimento de novos agentes antimicrobianos. No entanto, são necessários novos estudos para elucidar os mecanismos de ação e avaliar a viabilidade do uso clínico desses extratos.

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