Abstract
Introdução: O leite é um alimento essencial, amplamente consumido pela população devido ao seu alto valor nutricional.1 No entanto, devido à sua alta perecibilidade e susceptibilidade à contaminação microbiológica, a qualidade do leite in natura se torna um fator crítico para a segurança alimentar. A contaminação microbiológica pode ocorrer durante a ordenha, armazenamento inadequado ou falhas nos procedimentos de higiene dos manipuladores. Objetivo: Este estudo teve como objetivo avaliar a qualidade microbiológica do leite in natura comercializado em Alegre-ES, avaliando a presença de microrganismos, como mesófilos totais (contagem de bactérias totais – CBT), bactérias psicotróficas (CBP), coliformes totais e termotolerantes, e comparar os resultados obtidos com os limites estabelecidos pela legislação brasileira.2 Material e Método: A amostragem foi realizada em 10 pontos comerciais do município de Alegre, no período de abril a dezembro de 2024. As amostras de leite
foram mantidas a 8oC durante o transporte até a realização das análises. Para as contagens, diluições das amostras (10-2-10-5) foram plaqueadas em 3MTM PetrifilmTM para coliformes, e em Ágar Caseína Soja para contagem de mesófilos totais (37°C/48 horas) e psicotróficos (7°C/7 dias). O estudo seguiu as normas da Instrução Normativa no 76 de 20182, que regula a qualidade microbiológica do leite e seus derivados. Resultados e Discussão: As amostras de leite apresentaram contagens de mesófilos totais, variando de 4,4x105 UFC/mL a incontáveis, ultrapassando o limite máximo na maior diluição. Nenhuma das amostras apresentou contagem dentro do limite de 300.000 UFC/ml estabelecido pela legislação2. A CBP apresentou valores variando de 5,0x104 a incontáveis. Contagens elevadas de CBP podem estar associadas a alterações bioquímicas do leite, reduzindo a sua vida útil.3 Elevados valores de CBT e CBP indicam condições inadequadas de manejo durante a ordenha ou falhas na velocidade de resfriamento e armazenamento do leite, conforme evidenciado em estudos semelhantes.3 Quanto aos coliformes totais, as contagens variaram de 2,5x102 UFC/mL a incontáveis. Todas as amostras analisadas foram negativas para coliformes termotolerantes, o que indica ausência de contaminação fecal e sugere que as boas práticas agropecuárias (BPA) estão sendo seguidas em termos de controle de contaminação fecal nas propriedades produtoras de leite. No entanto, os elevados níveis de mesófilos e psicotróficos nas amostras apontam falhas nas práticas higiênico-sanitárias, especialmente relacionadas ao manejo e ao armazenamento do leite. Isso indica que, embora não haja contaminação fecal, as condições de higiene e resfriamento precisam ser melhoradas para garantir a segurança do produto final e prolongar sua vida útil. Conclusões: Esses resultados destacam a necessidade de um monitoramento contínuo das condições higiênico-sanitárias nas propriedades leiteiras e a adoção rigorosa das BPA para assegurar a qualidade microbiológica do leite.

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