Resumo
Introdução: O estresse oxidativo e a inflamação estão relacionados a diversas doenças crônicas, tornando a busca por compostos antioxidantes uma estratégia promissora. Nesse contexto, plantas medicinais representam uma importante fonte de metabólitos secundários capazes de modular processos oxidativos e inflamatórios. As espécies Senefeldera verticillata e Clarisia racemosa, nativas da Mata Atlântica e ainda pouco exploradas cientificamente, apresentam potencial farmacológico, porém carecem de estudos sobre segurança biológica e atividade antioxidante. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar a toxicidade e a capacidade antioxidante de extratos hidroalcoólicos dessas espécies vegetais. Material e Método: A atividade hemolítica foi avaliada em hemácias de carneiro utilizando as frações SVE 10A, SVE 11A, SVE 11B, SVE 11C, OIT 3A e OIT 3B, nas concentrações de 50, 100, 200, 250, 400 e 800 µg/mL. Após incubação e centrifugação, a hemólise foi determinada por espectrofotometria e os resultados foram expressos pela concentração capaz de promover 50% de hemólise (H50). A toxicidade dos extratos foi avaliada pelo ensaio de letalidade em Artemia salina, utilizando náuplios obtidos após eclosão em solução salina a 3% (p/v). Os organismos foram expostos, em triplicata, a diferentes concentrações dos extratos por 24 h. A toxicidade foi determinada pelo percentual de letalidade dos náuplios, com estimativa da DL₅₀ quando aplicável. A capacidade antioxidante dos extratos foi determinada pelo método CUPRAC, baseado na redução do íon Cu²⁺ a Cu⁺ e formação do complexo Cu⁺-neocuproína. Os resultados foram expressos como capacidade antioxidante equivalente ao Trolox (TEAC), obtidos a partir de curva de calibração. Resultados: Os extratos apresentaram hemólise dependente da concentração, com aumento progressivo da atividade hemolítica na maioria das amostras. Os extratos SVE 10A e SVE 11B apresentaram maior potencial hemolítico, enquanto o OIT 3B demonstrou a menor hemólise em todas as concentrações avaliadas, indicando menor citotoxicidade. No ensaio com Artemia salina, a letalidade aumentou com a concentração dos extratos. O extrato OIT 3A apresentou a maior toxicidade, enquanto SVE 11A e SVE 11C apresentaram menor letalidade nas concentrações avaliadas. No ensaio de capacidade antioxidante pelo método CUPRAC, observou-se aumento da atividade antioxidante com o incremento da concentração para a maioria dos extratos. O extrato SVE 11A apresentou a maior capacidade antioxidante, enquanto o SVE 10A não apresentou atividade antioxidante detectável. Discussão : Os resultados evidenciam atividade antioxidante e toxicidade variável entre as frações, com destaque para a SVE 11A, que apresentou a maior capacidade antioxidante. Conclusão: As espécies avaliadas demonstraram potencial biológico, constituindo candidatas para futuros estudos farmacológicos.

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