Abstract
Introdução (com objetivo): O citomegalovírus (CMV) é um herpesvírus humano de relevância clínica em pacientes submetidos a transplantes de órgãos sólidos (TOS) e de células-tronco hematopoéticas (TCTH)(1). Em pacientes imunossuprimidos, infecções por CVM tem alta morbimortalidade. Diante disso, a profilaxia e o manejo preemptivo da infecção por CMV são estratégias fundamentais para reduzir os riscos associados em pacientes transplantados (2). Os medicamentos antivirais ganciclovir e valganciclovir são indicados para o tratamento de profilaxia e terapia preemptiva de infecção CMV em pessoas submetidas a transplantes. O ganciclovir é administrado pela via intravenosa, necessitando de ambiente ambulatorial ou hospitalar. Já o valganciclovir, é um pró-fármaco antiviral administrado por via oral e se transforma no ganciclovir (3-4). Devido à diferença de custo, é necessário comparar as duas tecnologias de saúde por meio de uma avaliação econômica, para auxiliar na decisão de qual é a opção mais vantajosa, do ponto de vista assistencial e financeiro, na perspectiva do Sistema Único de Saúde no Estado de Alagoas. Realizar a avaliação econômica comparando ganciclovir e valganciclovir para o tratamento, profilaxia e terapia preemptiva por CMV em transplantados. Esse estudo tem como objetivo realizar a avaliação econômica comparando ganciclovir e valganciclovir para o tratamento, profilaxia e terapia preemptiva por CMV em transplantados. Material e Método: Foi realizado uma avaliação econômica do tipo custo minimização (ACM), dado que ambos os medicamentos apresentam efetividade clínica equivalentes. Foram considerados os custos de aquisição dos medicamentos ganciclovir 1mg/mL(bolsa com 500 mL) e valganciclovir 450 mg (comprimido revestido). Os esquemas posológicos consideraram um indivíduo com 70 kg e as médias de duração de tratamento descritas em literatura. Foram utilizados para a análise, os preços estabelecidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e além disso, custos indiretos do medicamento ganciclovir foram mensurados por microcusteio: (1) internação hospitalar; (2) recursos humanos; (3) insumos hospitalares e; (4) desfechos adversos evitáveis. A população estudada foi baseada em dados epidemiológicos com informações provenientes do DATASUS, no Registro Brasileiro de Transplantes e estimativas da Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas, sob a perspectiva do SUS. E o horizonte temporal analisado foi de 1 ano. Não foi realizada taxa de desconto, conforme diretrizes. Resultados: Os medicamentos valganciclovir e ganciclovir apresentam equivalência terapêutica entre as tecnologias, não sendo mensurados desfechos clínicos primários (5), por isso foi realizada uma avaliação de custo-minimização (ACM). O custo do tratamento com o ganciclovir, por paciente ao ano, foi estimado em R$ 545.043,48. O custo com o valganciclovir foi estimado em R$ 141.287,68. A ACM revelou que o tratamento com valganciclovir custa R$ 154.961.023,00 a menos que o tratamento com ganciclovir. Conclusões: O valganciclovir é uma alternativa de uso oral para tratar infecções por CMV, possui maior comodidade posológica, sem necessidade de internação e administração em ambiente hospitalar como ocorre com o medicamento ganciclovir injetável e possui efetividade equivalente. Os resultados da ACM indicam que a incorporação do valganciclovir gera economia significativa e consistente para o sistema de saúde e demonstram a importância das avaliações econômicas para a tomada de decisão no SUS.

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