ID-08 Estudo da Utilização de Antimicrobianos na Atenção Primária à Saúde de um Município do Noroeste do Estado do Rio Grande Do Sul

Keywords

Antimicrobianos; Atenção Primária; Unidade Básica de Saúde

How to Cite

Crema, M. E., Landfeldt, R. E. T., Machado, C. P., & Cezarotto, V. S. (2026). ID-08 Estudo da Utilização de Antimicrobianos na Atenção Primária à Saúde de um Município do Noroeste do Estado do Rio Grande Do Sul. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.3). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00452

Abstract

Introdução: Antimicrobianos são amplamente utilizados para destruir ou inibir o crescimento de microrganismos, sendo essenciais no tratamento de infecções. Podem ser naturais ou sintéticos, com a finalidade de eliminar agentes patogênicos e preservar, sempre que possível, a microbiota normal. Na Atenção Primária à Saúde (APS), esses medicamentos representam uma parcela significativa das prescrições, mas seu uso inadequado tem contribuído para o avanço da resistência microbiana. Essa resistência compromete a eficácia terapêutica, aumenta os custos com saúde e eleva os índices de morbidade e mortalidade. Objetivo: Analisar o perfil de dispensação de antimicrobianos na Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Jaboticaba/RS no período de janeiro a dezembro de 2023. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, analítico, com coleta de dados retrospectiva realizada na Farmácia Central da UBS de Jaboticaba/RS. Foram consideradas as receitas retidas contendo ao menos um antimicrobiano. Os dados foram expressos como prescrições mensais, avaliando ainda especialidade dos prescritores, faixa etária (crianças e adolescentes de 2 a 14 anos, adultos acima de 15 anos) e sexo. Por se tratar de um estudo realizado com dados secundários anonimizados, está isento de apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Resolução CNS nº 510/2016. Resultados: Das 10.543 prescrições analisadas, 3.100 (29,4%) continham pelo menos um antimicrobiano. Observou-se maior frequência de prescrições no mês de setembro, com 327 registros (3,1%), coincidindo com a sazonalidade de infecções respiratórias. Em relação ao perfil dos medicamentos, a amoxicilina foi o antimicrobiano mais prescrito, em comprimido (15,4%) e suspensão oral (12,6%), evidenciando seu amplo uso em diferentes faixas etárias. A associação amoxicilina + clavulanato de potássio representou 13,4% das prescrições, seguida por ceftriaxona (11,4%) e ciprofloxacino 500 mg (9,6%), o que demonstra a preferência por fármacos de amplo espectro na APS. Dos 3.100 registros com antimicrobianos, 2.816 (90,9%) foram destinados a adultos, e dentro desse grupo, 58,8% foram para o sexo masculino. Apenas 284 prescrições (9,1%) foram para crianças de 2 a 14 anos, com destaque para a amoxicilina 250 mg/5mL (38,3%), amoxicilina 500 mg/5mL (35,2%) e ceftriaxona injetável (19,7%). Os dados mostram que há uma tendência de prescrição de antibióticos mesmo em casos onde infecções bacterianas não são confirmadas, prática que contribui para o surgimento de resistência precoce, especialmente na população pediátrica. Conclusões: O estudo evidenciou um uso expressivo de antimicrobianos na UBS de Jaboticaba/RS, principalmente entre adultos do sexo masculino. A sazonalidade mostrou influência direta no volume de prescrições. A análise revelou que a amoxicilina, isolada ou em associação, é o antimicrobiano mais utilizado. O uso inadequado desses medicamentos, especialmente em faixas etárias vulneráveis, reforça a necessidade de ações educativas, protocolos clínicos e políticas públicas voltadas à prescrição racional. A continuidade da pesquisa, com base nos diagnósticos clínicos registrados nos prontuários, pode contribuir para estratégias mais eficazes no combate à resistência microbiana.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00452
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