Resumo
Introdução: O uso de medicamentos, além de sua dimensão biomédica, envolve aspectos subjetivos que afetam adesão, bem-estar, qualidade de vida e os resultados terapêuticos. A compreensão dessa experiência requer integrar referenciais das ciências humanas e sociais, considerando significados, crenças e emoções associados ao tratamento. Objetivo: Analisar a experiência subjetiva com o uso de medicamentos a partir dos referenciais da psicologia positiva, do sentido da vida e da resiliência, ampliando a compreensão do cuidado centrado no paciente. Métodos: Estudo teórico baseado em revisão narrativa da literatura nas áreas da antropologia, filosofia, sociologia, psicologia social, psicologia positiva e logoterapia, articulando conceitos que subsidiam a construção de um modelo de compreensão da experiência medicamentosa. Resultado e Conclusão: A experiência subjetiva com o uso de medicamentos envolve dimensões biológicas, psicológicas, sociais e culturais, influenciando a percepção da doença e a adaptação à terapêutica. Doenças crônicas podem gerar ruptura biográfica, na qual identidades e expectativas são reavaliadas, tornando os medicamentos símbolos concretos da presença da enfermidade. Os pacientes percebem o uso medicamentoso como resolutivo, adverso, ambíguo ou irrelevante, com ambivalência, vulnerabilidade e pragmatismo moldados por contextos sociais e culturais [1,2]. A religiosidade, a espiritualidade e práticas alternativas influenciam a adesão e o significado atribuído aos tratamentos. A fenomenologia contribui para a compreensão do uso de medicamentos como experiência corporal e existencial, afetando a relação do indivíduo consigo e com o mundo [1]. Conceitos de senso comum, atitude natural, estoque de conhecimento e zonas de relevância elucidam como experiências cotidianas e valores culturais orientam decisões sobre terapias. A psicologia positiva contribui ao enfatizar emoções positivas, engajamento, esperança e significado, fortalecendo a resiliência, definida como capacidade de enfrentar adversidades e se fortalecer, mediada por fatores de risco, proteção e estratégias de coping, promovendo bem-estar e ajudando o indivíduo a integrar o tratamento à sua narrativa de vida de forma significativa [3]. A logoterapia enfatiza a busca de sentido como motivação fundamental, transformando sofrimento em propósito e promovendo otimismo trágico, alinhando-se à psicologia positiva na valorização de emoções, engajamento e crescimento [4]. Modelos recentes, permitem compreender e mensurar o sentido da vida, fortalecendo a resiliência e promovendo uma experiência medicamentosa integrada ao projeto de vida do indivíduo [5]. Integrar psicologia positiva, sentido da vida e resiliência à compreensão da experiência com medicamentos amplia o olhar sobre o tratamento, ressignificando-o como parte de um projeto existencial. Essa abordagem oferece subsídios para práticas mais humanizadas, favorecendo adesão, resultados clínicos e bem-estar dos pacientes.

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Copyright (c) 2026 Ursula Carolina de Morais Martins, Silvia Miranda Amorim, Yone de Almeida Nascimento, Djenane Ramalho de Oliveira
