Resumo
Introdução: A eliminação do HIV/Aids como problema de saúde pública é uma prioridade do Ministério da Saúde do Brasil (MS). O acesso à terapia antirretroviral (TARV) reduz a morbidade e mortalidade relacionadas à Aids e tem impacto na qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/Aids . Conhecer e compreender as condições psicossociais, riscos e vulnerabilidades que envolvem o contexto de vida da PVHA representa uma ferramenta importante para o cuidado integral e o consequente sucesso terapêutico. Objetivo: Caracterizar o perfil sociodemográfico, clínico e terapêutico das Pessoas Vivendo com HIV/Aids atendidas na Farmácia Ambulatorial de um hospital universitário em Maceió/Alagoas, em 2024, para subsidiar a melhoria do cuidado farmacêutico e a individualização da assistência. Métodos: Trata-se de uma pesquisa descritiva, com análise de dados epidemiológicos públicos obtidos do Painel de Indicadores Epidemiológicos do Ministério da Saúde. A análise foi realizada de forma interpretativa. Por utilizar dados estatísticos de livre acesso, sem identificação nominal ou risco moral aos pacientes, não houve necessidade de submissão à avaliação por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultado e Conclusão: As características sociodemográficas dos pacientes mostraram predomínio do sexo masculino, com 1.215 pacientes (62,5%), e 728 (37,5%) do sexo feminino. A faixa etária mais prevalente foi de 25 a 39 anos, predominante entre os homens, enquanto entre as mulheres a faixa mais comum foi de 40 a 59 anos. Quanto ao nível de escolaridade, 32% dos pacientes tinham entre 0 e 7 anos de estudo, padrão semelhante ao nacional, caracterizado pela maior frequência de pessoas com baixo grau de instrução. A maioria dos pacientes (75,4%) se considerou parda, 20,6% branca/amarela, 3,1% preta, 0,2% indígena e 0,6% não informou raça/cor. Em 2024, 82% dos homens iniciaram a terapia antirretroviral (TARV), contra 75% das mulheres. O esquema terapêutico predominante foi semelhante nos dois grupos, com taxas de 72% e 69%, respectivamente, utilizando a associação de tenofovir, lamivudina e dolutegravir (TDF/3TC + DTG), conforme os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). Entre os 209 pacientes que começaram a TARV, 3% iniciaram no dia do diagnóstico, 4% entre 1 e 7 dias, 22% entre 8 e 30 dias, 59% entre 1 e 6 meses e 12% após mais de 6 meses. O PCDT recomenda o início da TARV no mesmo dia ou até 7 dias após o diagnóstico, evidenciando atrasos em muitos casos. Conhecer o perfil do público é fundamental para subsidiar estratégias de cuidado, adequar e individualizar a assistência farmacêutica, além de auxiliar na programação de ações futuras. É essencial que os profissionais estejam preparados para identificar barreiras estruturais e sociais que possam afetar a adesão e o cuidado contínuo.

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