Resumo
Introdução: A resistência microbiana representa um desafio crescente para a saúde pública, impactando diretamente a segurança do paciente e a efetividade terapêutica. O uso racional de antimicrobianos exige avaliação criteriosa quanto à indicação, escolha do fármaco, dose, via e tempo de tratamento. Nesse contexto, o farmacêutico clínico desempenha papel estratégico na promoção da antibioticoterapia segura e eficaz. Objetivo: Avaliar a evolução das intervenções farmacêuticas na antibioticoterapia em hospital público de Maceió-AL durante o primeiro semestre de 2025. Métodos: Trata-se de um estudo transversal, descritivo, realizado no período de janeiro a junho de 2025, em hospital público de Maceió-AL. Foram analisadas todas as prescrições de antimicrobianos dispensadas durante o período, com acompanhamento diário do farmacêutico clínico. As análises consideraram parâmetros de indicação, adequação de dose, diluição, via de administração, duplicidade terapêutica e duração do tratamento. As inconformidades identificadas foram comunicadas ao prescritor para correção. Todas as intervenções foram registradas em planilhas padronizadas, categorizadas por tipo e contabilizadas mensalmente para análise da evolução temporal. Os dados foram expressos em frequências absolutas e relativas, com comparação da evolução ao longo dos meses do estudo. Resultado e Conclusão: No período, foram realizadas 335 intervenções farmacêuticas em prescrições com antibióticos, representando 30% do total de 1.182 intervenções no período. Em janeiro ocorreram 32 intervenções, com crescimento contínuo até atingir 90, em junho, último mês da análise, representando crescimento de 64%. Os principais tipos de intervenções no semestre foram diluição (29%), duração do tratamento (27%) e dose/posologia (16%). Em janeiro, a diluição e a duração do tratamento foram as intervenções preponderantes, representando 53% do total mensal. As mesmas intervenções seguiram predominantes em fevereiro, com 66% de 36 intervenções. Em março, a intervenção dominante foi dose/posologia, sendo 30% de 50 intervenções. Duração de tratamento alcançou 44% de 63 intervenções em abril. Em maio, diluição somou 37% em relação a 64 intervenções. No último mês, junho, 31% das intervenções se ateram a duração de tratamento considerando as 90 intervenções mensais. A atuação do farmacêutico clínico demonstrou impacto significativo na racionalização do uso de antimicrobianos, contribuindo para o controle da resistência microbiana e para a otimização da terapêutica em ambiente hospitalar). O aumento esteve associado à mudança na gestão do serviço, qualificação da equipe, maior integração do farmacêutico clínico ao Serviço de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (SCIRAS).

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