Resumo
Introdução: A farmacêutica clínica especializada em Cuidados Paliativos tem se consolidado como integrante essencial da equipe multiprofissional, especialmente diante da complexidade do manejo farmacoterapêutico e da necessidade de individualização das metas assistenciais desse perfil de pacientes¹,². Objetivo: Relatar a experiência da inserção da farmacêutica na linha de Cuidados Paliativos, no acompanhamento de pacientes internados em um hospital filantrópico de Salvador, Bahia, entre junho e agosto de 2025, com ênfase em suas contribuições clínicas. Descrição do relato: A atuação farmacêutica incluiu a revisão diária das prescrições, das evoluções multiprofissionais registradas em prontuário, de exames laboratoriais e de laudos de imagem, seguida de visitas beira-leito diárias aos pacientes em cuidados paliativos exclusivos e visitas sob demanda para interconsultas. Além disso, incluiu participação em discussões clínicas semanais com a equipe multiprofissional, reuniões familiares e orientações a pacientes, familiares e cuidadores sobre condutas medicamentosas e ao uso seguro dos fármacos. As visitas conjuntas com médicas paliativistas, assistente social, enfermeira e psicóloga possibilitaram correlacionar sintomas relatados com a farmacoterapia em uso, favorecendo intervenções mais precisas. Observou-se, também, a necessidade contínua de ações educativas direcionadas tanto para profissionais de saúde quanto para familiares e cuidadores. No manejo farmacoterapêutico, destacaram-se intervenções voltadas à otimização da analgesia multimodal, rotação de opioides, prevenção e tratamento de sintomas como constipação, náuseas, vômitos, insônia, sialorreia e tosse. Também foram relevantes orientações sobre utilização de fármacos por via subcutânea (hipodermóclise), a adequação de diluições de medicamentos parenterais, a recomendações de desprescrição de fármacos sem benefício clínico e a racionalização de duplicidades terapêuticas. Dentre os principais resultados observados nesse período observou-se maior contribuição na otimização do controle de sintomas, maior segurança no uso de medicamentos, simplificação da farmacoterapia e fortalecimento do vínculo com pacientes, familiares e equipe multiprofissional, favorecendo uma prática transdisciplinar. A elevada taxa de aceitação das intervenções reforçou o reconhecimento do papel do farmacêutico no cuidado centrado no paciente. Conclusão: A experiência descrita pode demonstrar que a integração do farmacêutico clínico na linha de Cuidados Paliativos possui potencial significativo para a qualidade da assistência, apoiando a tomada de decisão compartilhada, a individualização terapêutica e a promoção do conforto. Ressalta-se, contudo, a necessidade de ampliar a formação especializada de farmacêuticos na área e de consolidar esse espaço de atuação nos serviços de saúde.

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