Resumo
Introdução: A conciliação medicamentosa, estratégia importante na segurança do paciente, consiste em comparar a lista de medicamentos prévios do paciente com as prescrições na transição de cuidados, identificar discrepâncias e comunicar alterações para reduzir erros de medicação. Objetivo: Este estudo teve como objetivo demonstrar a efetividade da conciliação medicamentosa na identificação e resolução de discrepâncias medicamentosas na admissão de pacientes adultos em um hospital privado. Métodos: A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética e Pesquisa do Hospital Universitário Edgard Santos com parecer de número 7.367.654, de acordo com a Resolução n° 466 de 2012. Trata-se de um estudo observacional prospectivo, realizado de fevereiro a março de 2025 em um hospital privado de Salvador (BA). Foram incluídos pacientes admitidos com idade ≥18 anos, em uso contínuo de pelo menos um medicamento prévio e admitidos em setores específicos, a partir de uma amostragem por conveniência. O “Melhor Histórico Medicamentoso Possível”, do inglês, “Best Possible Medication History” (BPMH), foi obtido pela equipe de farmácia clínica do hospital por meio de formulário padronizado, comparando-se medicamentos de uso prévio e prescrições iniciais. As discrepâncias foram classificadas em intencionais, intencionais não documentadas e não intencionais, classificando as classes ATC envolvidas e registrando intervenções farmacêuticas, cuja aceitação pela equipe médica foi avaliada. As análises foram realizadas por estatística descritiva. Resultado e Conclusão: 133 pacientes foram incluídos (idade média 60,6 ± 19,3 anos; 72,9% mulheres). Identificaram-se 806 medicamentos pré-admissão, sendo identificadas 332 (41,2%) discrepâncias: 133 (40,1%) intencionais, 148 (44,6%) intencionais não documentadas e 51 (15,4%) não intencionais, com média de 0,38 ± 0,80 discrepâncias não intencionais por paciente. As discrepâncias não intencionais foram majoritariamente omissões (90,1%), e as classes mais envolvidas foram sistema cardiovascular (29,4%) e trato alimentar/metabolismo (17,7%). Pacientes que faziam uso de mais de 6 medicamentos apresentaram maior taxa de discrepância não intencionais (1,69 ± 1,25 por paciente). 86% das 43 intervenções farmacêuticas foram acatadas pela equipe médica. Conclui-se que a conciliação medicamentosa demonstrou-se eficaz na detecção e correção de discrepâncias medicamentosas na admissão, com alta aceitação das intervenções farmacêuticas. Destaca-se a necessidade de padronizar registros de decisões terapêuticas e priorizar pacientes polimedicados para otimizar a segurança.

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