Resumo
Introdução: O termo incongruência de gênero (IG) se refere a uma marcada dissidência entre o gênero vivenciado ou expresso e aquele que lhes foi atribuído no nascimento. Essa dissidência pode gerar sofrimento clinicamente significativo no indivíduo em diversas nuances da vida (1). Considerando as limitações dos exames clínicos (2) em mensurar os impactos sociais e emocionais da incongruência de gênero, torna-se necessária a utilização de instrumentos disponíveis na literatura, entre os quais se destaca o Gender Preoccupation and Stability Questionnaire 2 (GPSQ-2) (3). Objetivo: Determinar a estrutura fatorial da Gender Preoccupation and Stability Questionnaire 2 (GPSQ-2) para a população transgênero em sua versão em português-BR. Métodos: Foi realizado um estudo transversal em um ambulatório transexualizador durante o período de novembro de 2024 a abril de 2025. A amostragem foi realizada por conveniência, com os usuários que possuíam idade igual ou superior a 18 anos atendidos no ambulatório. A Análise Fatorial Confirmatória (AFC) foi realizada por meio do Software R (versão 4.4.3) e o pacote Lavaan (versão 0.6-19), conduzida seguindo a estrutura fatorial originalmente proposta composta por dois fatores: preocupação (compreendido pelos itens 1, 2, 4, 5, 7, 9, 12, 13) e estabilidade (composto pelos itens 3, 6, 8, 10, 11, 14). O método de estimação Diagonally Weighted Least Squares foi utilizado visando um melhor ajuste do modelo aos dados ordinais. A adequação da estrutura fatorial foi avaliada por meio da razão entre o Qui-quadrado (χ2 ) e os graus de liberdade (gl) e por meio dos seguintes critérios de qualidade: Comparative Fit Index (CFI) (4), Tucker-Lewis Index (TLI) (5), Goodness of Fit Index (GFI), Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) e Root Mean Square of Residuals (SRMR). O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Sergipe, sob o parecer: 79839224.7.1001.5546. Resultado e Conclusão: A amostra total foi constituída por 96 participantes, sendo 49 transgênero masculino, 42 transgênero feminino, 4 Não-Binários e um participante optou por não responder. A maioria dos participantes tinha até 35 anos, 39 tinham entre 18 e 24 anos e 43 tinham entre 25 a 34 anos. A maioria dos indivíduos tinha, no mínimo, ensino médio completo. De acordo com os indicadores de qualidade da AFC, o modelo bifatorial da GSPQ-2 apresentou bom ajuste do modelo aos dados (CFI = 0,94; TLI = 0,93; RMSEA = 0,01; χ²/df = 1,01). Os resultados indicam a validade da estrutura bifatorial originalmente proposta da GSPQ-2 na avaliação da IG na população transgênero brasileira. Na sequência, faz-se necessário analisar sua confiabilidade, incluindo consistência interna e estabilidade.

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