PE - 60 Prevalência e Manejo de Eventos Adversos a Medicamentos em Pessoas Idosas na Admissão Hospitalar

Palavras-chave

Efeitos coletarais e reações adversas relacionados a medicamentos
Gestão de riscos
Indicadores de Qualidade em Assistência à Saúde
Saúde da pessoa idosa

Como Citar

Schiavo , G., Forgerini, M., Laurindo Mendonça , H., Almeida Araújo, M., Rossi Varallo, F., Carolina Corrêa , B., Cabete Pereira Salvetti, M., & Carvalho Mastroianni, P. (2026). PE - 60 Prevalência e Manejo de Eventos Adversos a Medicamentos em Pessoas Idosas na Admissão Hospitalar. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.2). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00434

Resumo

Introdução: Embora frequentemente subdetectados, os eventos adversos a medicamentos (EAMs) são uma das principais causas de internações em pessoas idosas 1,2. Neste contexto, o uso de ferramentas de rastreio associado à revisão da farmacoterapia possibilita a identificação e o manejo de EAMs, promovendo uma transição assistencial mais segura. Objetivo: Estimar a prevalência de EAMs em pessoas idosas na admissão hospitalar e descrever manejo desses eventos. Métodos: Conduziu-se um estudo transversal entre fevereiro/2022 e fevereiro/2023 em um hospital (CAAE 64663522.0.0000.5426). Incluíram-se pessoas idosas (≥ 60 anos) com internação superior a 24h, exceto aquelas admitidas para cirurgias ou procedimentos eletivos. Revisaram-se prontuários para coleta de variáveis, triagem de rastreadores e análise de causalidade. Considerou-se EAM grave o associado à admissão e evitável o decorrente de erros de medicação 3. Utilizou-se a TRIGGER-CHRON (32 rastreadores) 4 e a OPERAM (21 rastreadores) 5 para triagem de EAMs e calcularam-se valor preditivo positivo (VPP), valor preditivo negativo (VPN), sensibilidade (SEN) e especificidade (ESP). A prevalência foi estimada pela razão entre participantes com EAMs e o total da amostra, multiplicado por 100. O manejo do EAM foi descrito segundo registros da equipe de saúde. A normalidade das variáveis quantitativas foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov, e a comparação entre participantes com e sem EAMs foi feita pelo teste U de Mann-Whitney. Resultado e Conclusão: Incluíram-se 557 participantes, a maioria do sexo masculino (n=292), com mediana de 73 anos (IQ 67-81). No total, 63 (11,3%) participantes apresentaram EAMs. Destes, 21 foram internados por EAMs e, em sete, a internação poderia ter sido evitada. Participantes com EAMs usavam mais medicamentos em domicílio (8 vs. 6; p<0,001) e foram admitidos do pronto atendimento (n=33), ambulatórios (n=21) ou outros hospitais (n=9). Identificaram-se 3.152 rastreadores pela TRIGGER-CHRON e 2.435 pela OPERAM. O número de rastreadores foi maior entre participantes com EAM (TRIGGER-CHRON: 6 vs. 5, p=0,007; OPERAM: 5 vs. 4, p=0,009). A TRIGGER-CHRON apresentou melhor performance, exceto na SEN (VPP=0,34; VPN=0,99; SEN=0,74; ESP=0,84), em comparação à OPERAM (VPP=0,24; VPN=0,99; SEN=0,81; ESP=0,82). Identificaram-se 112 EAMs, sendo 39 graves e 18 evitáveis. Doze EAMs não haviam sido detectados pela equipe de saúde. Os EAMs mais frequentes foram lesão renal aguda por inibidores da enzima conversora da angiotensina (n=6) e diuréticos (n=4), e sonolência por anticonvulsivantes (n=5) e antipsicóticos (n=3). Após a revisão da farmacoterapia. Conclui-se que a aplicação das ferramentas de rastreio permitiu estimar que uma em cada dez pessoas idosas apresentou pelo menos um EAM na admissão hospitalar e a revisão da farmacoterapia possibilitou a resolução dos 112 EAMs identificados.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00434
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Copyright (c) 2026 Geovanna Schiavo , Marcela Forgerini, Heloísa Laurindo Mendonça , Mateus Almeida Araújo, Fabiana Rossi Varallo, Bruna Carolina Corrêa , Maísa Cabete Pereira Salvetti, Patrícia Carvalho Mastroianni