PE - 59 A Aplicação do Raciocínio Clínico e o Processo de Tomada de Decisão por Estudantes de Farmácia no Âmbito da Fitoterapia

Palavras-chave

Fistoterapia
Plantas medicinais
Educação interprofissional
Farmácia

Como Citar

Brumate de Souza, T., Aline Silva Soares, J., & Barbosa Detoni , K. (2026). PE - 59 A Aplicação do Raciocínio Clínico e o Processo de Tomada de Decisão por Estudantes de Farmácia no Âmbito da Fitoterapia. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.2). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00433

Resumo

Introdução: Quando pensamos no papel do farmacêutico inserido em uma equipe de cuidado ao paciente, sua grande contribuição compreende avaliar se os medicamentos em uso são os mais adequados com base em suas necessidades específicas (1). O raciocínio clínico, baseado no pharmaceutical care, permite avaliar se todas as terapias, incluindo a fitoterapia, são as mais indicadas, efetivas, seguras e convenientes para o usuário (2). Objetivo: Compreender como a fitoterapia foi avaliada no cuidado ao paciente e o desenvolvimento do raciocínio clínico de estudantes de Farmácia. Métodos: Os dados foram obtidos a partir de uma disciplina interprofissional ministrada em uma universidade pública brasileira, que contou com atividades de simulação clínica em equipe de saúde, com foco na farmacoterapia, envolvendo medicamentos convencionais e fitoterápicos (3). Além da Farmácia, participaram estudantes de outros quatro cursos da saúde. Trata-se de um estudo qualitativo, tendo como métodos: registros crítico-reflexivos em diário de campo, reuniões entre as docentes e entrevistas semi-estruturadas. Os dados foram analisados pelo Nvivo (versão 12). Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (42202321.6.0000.5149). Resultado e Conclusão: Os dados apontam para a não avaliação e não aplicação do raciocínio clínico do pharmaceutical care para os fitoterápicos. Em entrevista, quando questionada acerca da busca de evidências sobre possíveis usos e resultados na condição de saúde do paciente simulado, uma estudante de Farmácia pontuou: “No grupo da Farmácia, nem existiu o fitoterápico. E na discussão com a equipe toda, só essa preocupação: o que fazer com ele? Mas ninguém teve a ideia "e se a gente tentar trabalhar com ele, ao invés de ir contra ele?". Essa fala evidencia que a fitoterapia foi uma necessidade desconsiderada no cuidado ao paciente, focando-se na avaliação dos medicamentos convencionais. O cerne da discussão não foi a falta de evidências científicas (ambas terapêuticas têm comprovação), mas consequência da formação ainda focada em formas de cuidado hegemônicas. Entretanto, a fitoterapia foi avaliada exclusivamente sob a perspectiva da segurança: a equipe de saúde buscou identificar potenciais interações medicamentosas e efeitos adversos que pudessem comprometer a efetividade do tratamento convencional. Isso evidencia como tal abordagem pode legitimar a priorização do uso de medicamentos convencionais em detrimento da fitoterapia, que pode ser percebida como uma prática de cuidado “perigosa”.  O recorte analisado evidencia como futuros farmacêuticos não estão sendo preparados para trabalhar com terapêuticas que se distanciam da lógica convencional, mesmo que tenham comprovação científica e sejam usadas por grande parte da população. Ao desconsiderar a aplicação do raciocínio clínico e a avaliação da fitoterapia no processo de cuidado, parte da demanda social com o uso de medicamentos não é adequadamente atendida. Portanto, é essencial que o debate seja incluído na formação em Farmácia.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00433
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