Resumo
Introdução: As humanidades em saúde constituem um campo de conhecimento importante para a compreensão do processo saúde-doença-cuidado fortalecendo a reflexão crítica e ética dos profissionais de saúde. Embora mais desenvolvido em algumas profissões, ainda é incipiente na educação farmacêutica. Apresenta, entretanto, grande potencial para aprimorar a prática clínica do farmacêutico, especialmente quando este atua no acompanhamento farmacoterapêutico. Objetivo: Compreender como farmacêuticos, formados em cursos de graduação que não enfatizavam o cuidado, desenvolveram competências clínicas para o Cuidado Farmacêutico (Pharmaceutical Care). Métodos: Estudo qualitativo baseado na Teoria Fundamentada nos Dados construtivista, com imersão da pesquisadora no campo. Foram realizadas entrevistas individuais em profundidade, além de elaboração de memorandos e codificação inicial e focalizada, apoiada pelo NVivo 12 (CAAE: 69327823.4.0000.5149). A análise resultou em um modelo teórico sobre o desenvolvimento das competências clínicas, do qual se destaca, neste resumo, a categoria “humanidades em saúde e pesquisa qualitativa", discutida a seguir. Resultado e Conclusão: Foram realizadas entrevistas com nove farmacêuticos com média de 15 anos de prática clínica. Três grandes categorias emergiram, entre elas as "humanidades em saúde e a pesquisa qualitativa" os participantes relataram que essa aproximação humanística, viabilizada em sua maioria através da pesquisa qualitativa, foi fundamental na construção de competências clínicas, proporcionando contato com novos paradigmas epistemológicos, ampliando a compreensão da ciência, do cuidado e da própria identidade profissional. Abordagens etnográficas, auto etnográficas, fenomenológicas, entre outras, além do desenvolvimento dos métodos e técnicas para coleta de dados, realização de entrevistas e observação participante por exemplo, emergiram como recursos formativos relevantes, favorecendo escuta sensível, a observação e a reflexão sobre as experiências de adoecimento, de uso de medicamentos e de cuidado. As participantes apontaram contribuição direta destes em sua formação clínica, auxiliando na condução de anamneses, reconhecendo e valorizando a experiência subjetiva dos pacientes e proporcionando o desenvolvimento de competências indispensáveis ao cuidado farmacêutico centrado na pessoa. Referenciais teóricos das ciências humanas e sociais e da filosofia permitiram aos farmacêuticos questionar quem é o sujeito do cuidado, como se constroem suas experiências com medicamentos e quais saberes devem ser considerados no processo terapêutico. Essa perspectiva favoreceu uma atuação mais integral, crítica e sensível às dimensões socioculturais do uso de medicamentos. O desenvolvimento de competências clínicas farmacêuticas vai além do domínio técnico-operacional, dependendo da integração de saberes das ciências farmacêuticas e da saúde com as humanidades em saúde , contribuindo para a construção de uma prática crítica, reflexiva e centrada na pessoa.

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