Resumo
Introdução: Em 2017, foram publicadas novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de Graduação em Farmácia, que preconizam 50% da carga horária para o eixo Cuidado em Saúde. Além do desenvolvimento de competências clínicas específicas da Farmácia, torna-se importante desenvolver estratégias para que competências sejam articuladas com de outras profissões. Para preparar futuros farmacêuticos para atuação integrada às equipes de saúde, estratégias de educação interprofissional (EIP) têm se mostrado relevantes, em que estudantes de duas ou mais profissões aprendem juntos, em interação, para otimizar a colaboração. Para melhora dos processos de ensino, é essencial compreender a perspectiva do estudante de Farmácia envolvido em experiências de EIP, abordagem ainda escassa na literatura. Objetivo: Relatar a experiência discente em uma disciplina de EIP, refletindo sobre papel e responsabilidade do farmacêutico em uma equipe de saúde em um ambiente simulado, compreendendo aspectos importantes para a formação acadêmica. Descrição do relato: A disciplina foi ofertada na modalidade optativa em uma universidade federal, no ano de 2022, vinculada a um projeto de doutorado. Participaram discentes dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Medicina, Odontologia e Psicologia, que ao longo do semestre discutiram sobre o papel do paciente no processo de cuidado, além de desenvolver atividades como a criação de um plano de cuidado para um paciente simulado e praticar tomada de decisão compartilhada em equipe com foco na atenção primária à saúde. No momento em que essa atividade foi realizada, o curso de Farmácia ainda estava pautado nas DCN de 2002, sendo disciplinas com foco no cuidado em saúde ofertadas como optativas. Assim, nem todos os estudantes participantes da EIP tinham, previamente, desenvolvido competências necessárias para o cuidado de forma mais aprofundada. Dessa forma, a principal diferença observada durante o semestre foi justamente entre os estudantes que tiveram contato prévio com esse raciocínio e competências, e os estudantes que não tiveram esse contato. Conclusão: Essa diferença gerou uma dificuldade para tomar decisões sobre medicamentos entre os próprios estudantes de farmácia e uma divisão nos papéis desempenhados por eles na elaboração do plano de cuidado compartilhado entre as demais profissões. Essa divergência foi um fator dificultador para os estudantes que não haviam tido o contato prévio com disciplinas que trabalham o cuidado, prejudicando o desenvolvimento da atividade proposta durante o semestre e integração com a equipe. Essa falta de clareza do profissional sobre sua responsabilidade no cuidado ao paciente dificulta sua inserção na equipe e consequentemente no desenvolvimento de suas atividades. Além disso, também prejudica a qualidade do serviço prestado à população e os resultados em saúde. Para que essa competência seja bem desenvolvida pelo estudante é essencial que ele tenha, previamente, clareza do seu papel e como poderá contribuir na equipe.

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