Resumo
Introdução: A provisão de serviços clínicos farmacêuticos nas farmácias comunitárias tem sido essencial para a promoção do uso racional de medicamentos e para o fortalecimento da atenção primária em saúde1. Contudo, a execução desses serviços depende não apenas da competência técnica dos profissionais, mas também de condições estruturais adequadas que possibilitem sua implementação2. Barreiras relacionadas à infraestrutura, sobrecarga de trabalho e pressões organizacionais podem comprometer a qualidade da assistência prestada, gerando dilemas éticos e limitações no processo clínico do farmacêutico comunitário3,4. Objetivo: Compreender a percepção dos farmacêuticos sobre a influência das condições estruturais das farmácias comunitárias na condução do cuidado farmacêutico. Métodos: Trata-se de um estudo piloto qualitativo realizado em novembro de 2024. As entrevistas foram semiestruturadas conduzidas por pesquisadora experiente mediante videoconferências com farmacêuticos atuantes em farmácias comunitárias privadas de Sergipe. Os participantes foram selecionados intencionalmente, considerando experiência em serviços clínicos farmacêuticos. As entrevistas foram gravadas, transcritas e submetidas à análise de conteúdo de Bardin, com apoio do software Atlas.ti5. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal de Sergipe (CAAE: 31726820.7.0000.5546). Resultado e Conclusão: Foram realizadas seis entrevistas, nas quais os participantes apontaram que a ausência de infraestrutura é um dos principais entraves para o cuidado farmacêutico. Segundo os entrevistados, a ausência ou precariedade de consultórios clínicos compromete a confidencialidade, a escuta qualificada e a criação do ambiente propício à construção do vínculo terapêutico. Ademais, a sobreposição de funções comerciais e administrativas foi associada à sobrecarga e à limitação do tempo dos atendimentos, levando a relatos de insatisfação profissional e restrição do papel clínico. Esse cenário reforça a predominância de atividades comerciais em detrimento do cuidado, afetando a qualidade da assistência prestada por farmacêutico. Os farmacêuticos entrevistados compreendem que condições estruturais das farmácias comunitárias parecem ser fatores determinantes para o cuidado ao paciente. Isto porque a sobrecarga de trabalho e pressões comerciais comprometem a qualidade da assistência e satisfação profissional. Esses achados reforçam a necessidade de políticas institucionais e regulatórias que assegurem melhores condições de trabalho e o cuidado centrado no paciente.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Francielly Lima da Fonseca, Cristy Evelin de Melo Souza, Diogo Souza de Araujo, Aline Santana Dosea, Alessandra Rezende Mesquita, Divaldo Pereira de Lyra Junior
