Resumo
Introdução: As doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) requerem acompanhamento contínuo, em especial na Atenção Primária à Saúde (APS), visando à prevenção de agravos e o uso adequado dos medicamentos1,2. Nesse contexto, a complexidade da farmacoterapia é um desafio importante, uma vez que tal fenômeno está relacionado à baixa adesão ao tratamento e ao aumento de erros de medicação3,4. Objetivo: Avaliar a complexidade da farmacoterapia de usuários da Atenção Primária à Saúde em um município de Minas Gerais. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, em duas Estratégias de Saúde da Família (ESF) em Governador Valadares (MG). Participaram do estudo pacientes com DCNT em uso de medicamentos e cadastrados nas ESF. Foram realizadas entrevistas individuais e análise de prontuários, entre março e julho de 2024, para a coleta de dados sociodemográficos e dos medicamentos em uso. Os medicamentos utilizados pelos pacientes foram avaliados por meio do Índice de Complexidade da Farmacoterapia (ICFT). Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (Parecer: 6.093.176). Resultado e Conclusão: Participaram do estudo 80 usuários da APS, dos quais 59 (73,75%) eram do sexo feminino. A média de idade foi de 62 anos (±16,34). Foram encontrados 335 medicamentos em uso. A maioria das pessoas (n=46) utilizava quatro ou mais medicamentos, caracterizando polifarmácia. A complexidade da farmacoterapia obteve média de 14,33. O valor máximo foi de 38 pontos em uma farmacoterapia com 12 medicamentos. Dos 31 adultos, 16 (51,61%) apresentaram valores acima de 13, configurando alta complexidade. Das 49 pessoas idosas, 20 (40,81%) apresentaram alta complexidade da farmacoterapia. Foi possível observar que boa parte dos usuários apresentaram alta complexidade na farmacoterapia, evidenciando os desafios na gestão dos medicamentos. Esse contexto aponta a necessidade de estratégias interdisciplinares entre os profissionais de saúde e os farmacêuticos clínicos para reduzir a complexidade do regime terapêutico e promover o uso de medicamentos de forma efetiva e segura aos usuários atendidos na APS.

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