Resumo
Introdução: Pessoas com hipertensão arterial (HA) são mais propensas a desenvolver eventos cardiovasculares negativos. Fatores de risco modificáveis podem ser alvos de intervenções por profissionais da saúde, dentre eles o farmacêutico. Entretanto, há poucos estudos que abordam a atuação desse profissional na gestão do Risco Cardiovascular (RCV). Objetivo: Avaliar o impacto de intervenções farmacêuticas no RCV de pessoas com HA em um município no sul do Espírito Santo. Métodos: Trata-se de um estudo quase-experimental do tipo antes e depois, realizado de Janeiro/2022 a Dezembro/2023, com pacientes com HA atendidos por 3 farmacêuticas clínicas. Foi realizada coleta de dados sociodemográficos, pressão arterial e perfil lipídico, em 3 tempos (T0, T1, T2). O RCV foi calculado pelo Escore de Risco de Framingham (FRS), que prevê o risco de eventos cardiovasculares em 10 anos. As intervenções realizadas foram classificadas em: diretas sobre o RCV (pressão arterial e/ou dislipidemias); indiretas sobre o RCV (estilo de vida, obesidade, diabetes, e/ou doenças cardiovasculares) e outras intervenções. Estatística descritiva e ANOVA foram utilizados para análise. Considerações éticas foram observadas (CAAE 13586319.6.0000.8151 | Parecer nº 4.733.878). Resultado e Conclusão: Participaram do estudo 66 pacientes, sendo 70,3% (n=45) do sexo feminino, 63,5±10,3 anos. Foram registradas 476 intervenções, sendo 358 focadas no RCV e 118 em outras situações. Dentre as com foco no RCV, 220 intervenções diretas sobre pressão arterial (n=154) e dislipidemias (n=66); e 138 intervenções indiretas sobre diabetes (n=84), DCV (n=21), estilo de vida (n=27) e obesidade (n=6). Observou-se redução significativa nos valores de PA e no perfil lipídico, a saber: PA: entre T0 and T1 (∆ = -9.47 mmHg, p = 0.014) e entre T0 entre T2 (∆ = -8.62 mmHg, p = 0.007); Colesterol não HDL: entre T0 e T1 (∆ = -19.76 mg/dL, p < 0.001) e entre T0 e T2 (∆ = -19.69 mg/dL, p = 0.001); LDL: entre T0 e T1 (∆ = -15.70 mg/dL, p < 0.001) e entre T0 e T2 (∆ = -13.69 mg/dL, p = 0.004); Consequentemente, observou-se redução significativa no escore de risco de Framingham entre T0 e T1 (Δ = -1,93 pontos, p < 0,001) e entre T1 e T2 (Δ = -1,87 pontos, p < 0,001). Os resultados deste estudo evidenciam que as intervenções realizadas pelas farmacêuticas reduziram o risco cardiovascular dos pacientes pelos próximos 10 anos. As intervenções mostraram-se efetivas e viáveis no manejo de RCV por farmacêuticas em pessoas com HA, contribuindo, assim, na promoção da saúde e prevenção de desfechos cardiovasculares negativos.

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