Resumo
Introdução: A harmonização é uma das principais estratégias de afirmação de gênero para pessoas trans. No entanto, seu uso pode estar associado a efeitos adversos relevantes, o que reforça a necessidade de acompanhamento multiprofissional. Protocolos e diretrizes clínicas apresentam recomendações heterogêneas sobre o monitoramento de hormônios para afirmação de gênero, o que dificulta a padronização da prática assistencial1-3. Nesse contexto, a revisão de escopo surge como estratégia para mapear e sintetizar essas orientações. Objetivo: Mapear as recomendações de protocolos e diretrizes clínicas sobre o monitoramento do uso de hormônios em pessoas trans adultas. Métodos: Foi realizada uma revisão de escopo segundo metodologia do Joanna Briggs Institute. A busca abrangeu as bases PubMed, EMBASE, Web of Science, Scopus e Lilacs, além de literatura cinzenta, sem restrição temporal e nos idiomas português, inglês e espanhol. A pergunta de pesquisa foi: Quais são as orientações/intervenções preconizadas pelos protocolos e diretrizes clínicas para o monitoramento do uso de hormônios em adultos transgêneros?. Os estudos foram selecionados com base em critérios de inclusão previamente definidos. Para cada um, foram extraídas informações sobre aspectos clínicos e laboratoriais relevantes, incluindo exames solicitados, medicamentos e hormônios utilizados, contraindicações, efeitos esperados, alertas de segurança e orientações para avaliação e acompanhamento farmacoterapêutico. Resultado e Conclusão: Foram incluídos 27 estudos. O estrogênio oral foi o hormônio mais citado na feminização (n=24; 88,9%), enquanto a testosterona parenteral, sobretudo nas formas de enantato e cipionato, prevaleceu na masculinização (n=20; 74,1%). Entre os efeitos desejados, destacaram-se crescimento mamário (n=25; 92,6%) na feminização e aumento de massa muscular (n=23; 85,2%) na masculinização. Os principais efeitos adversos relatados foram tromboembolismo venoso (n=20; 74,1%) na feminização e acne (n=15, 55,6%) na masculinização. A análise das recomendações mostrou convergência quanto à necessidade de avaliação periódica de testosterona, estradiol, glicemia, perfil lipídico, função hepática, prolactina e hematócrito, bem como monitoramento contínuo dos efeitos adversos.A revisão evidenciou a necessidade de individualização do cuidado e de maior uniformidade nas recomendações para acompanhamento da hormonização. Os achados reforçam a importância do cuidado farmacêutico como prática capaz de promover uso seguro e efetivo no uso de hormônios para afirmação de gênero.

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