Resumo
Introdução: A fitoterapia é uma prática de amplo e crescente uso. No Brasil, cerca de 82% da população utiliza plantas medicinais nos cuidados com saúde. O Cuidado Farmacêutico (CF) visa atender à necessidade social de otimizar a farmacoterapia, incluindo os fitoterápicos. Pesquisa com farmacêuticos atuantes no CF apontou a demanda de facilitar o registro e avaliação adequada da fitofarmacoterapia, propondo a revisão dos campos e inclusão de lista padronizada de fitoterápicos em um modelo de documentação empregado para ensino, prática clínica e pesquisa do CF. Objetivo: Revisar um modelo institucional de documentação do CF visando favorecer o ensino acerca do registro sistemático e padronizado do uso de fitoterápicos. Descrição do relato: A documentação adotada, um prontuário eletrônico, usa o modelo SOAP (subjetivo, objetivo, avaliação e plano). A esse documento foram adicionados lembretes específicos sobre a fitofarmacoterapia nos campos: 1) uso eventual de medicamentos; 2) farmacoterapia em uso, separado por condição de saúde, com campos para registro dos parâmetros de tempo de uso, efetividade, segurança e conveniência. Para alimentar de modo padronizado e automático os campos do prontuário foi elaborada planilha com dados dos fitoterápicos (nome popular, nome científico, parte utilizada e forma farmacêutica), facilitando a inserção das informações e sua posterior análise. Selecionou-se referências relevantes: documentos oficiais do governo brasileiro, da União Europeia, da Organização Mundial de Saúde, e fontes regionais conceituadas, como listagens de Farmácias Vivas e artigos de levantamentos de utilização de fitoterápicos. Elaborou-se uma listagem de todos fitoterápicos nelas citados, excluindo-se aqueles de uso incomum no Brasil. Foram realizadas reuniões semanais para discutir divergências encontradas nas referências e alinhar os critérios de padronização das informações. Foram incluídas na planilha 548 formas farmacêuticas de 126 espécies. Os principais desafios foram as divergências entre as referências quanto à nomenclatura, parte utilizada e formas farmacêuticas; ausência de informações em algumas referências (como parte utilizada ou nomes populares relevantes); necessidade de padronização dos termos referentes a formas farmacêuticas; definição da nomenclatura das partes das plantas, optando por termos gerais em lugar de termos botânicos específicos (ex. “flores” em substituição a “capítulos florais”). O novo modelo de documentação, já adotado no ensino, vem favorecendo a percepção da necessidade e de como fazer o acompanhamento da fitofarmacoterapia no CF, e será futuramente adotado para a prática clínica e as pesquisas da instituição. Conclusão: A adequação e padronização na documentação da fitofarmacoterapia foi um avanço para sua integração ao ensino do CF na instituição. As divergências encontradas entre as referências reforçam a utilidade de uma lista padronizada para facilitar o registro das informações do uso de fitoterápicos.

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