PE - 040 Garantia de Aquisição dos Medicamentos e Insumos no CESAF

Palavras-chave

Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica
Acesso a medicamentos
Política Nacional de Medicamentos (PNM) e Política Nacional de Assistência Farmacêutica (PNAF)

Como Citar

Thaiane Nascimento Calvacanti, I., Felipe Gomes Larratea, L., Roberto Peters, J., Rodrigues Silva, W., Souza Gomes Anunciação, D., Chaves Castro, M., Laine Araújo Oliveira, G., & José Rocha da Silva, A. (2026). PE - 040 Garantia de Aquisição dos Medicamentos e Insumos no CESAF. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s1). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00302

Resumo

Introdução: O Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica (CESAF) garante acesso equitativo a medicamentos e insumos essenciais para prevenir, diagnosticar, tratar e controlar doenças endêmicas ou que afetam populações vulneráveis, integrando programas estratégicos do SUS e promovendo o uso racional. Inclui principalmente medicamentos para doenças infecciosas e negligenciadas, como tuberculose, hanseníase, malária, doenças hematológicas, tabagismo e deficiências nutricionais. O Ministério da Saúde financia e adquire centralizadamente, priorizando laboratórios públicos nacionais, e distribui aos estados e Distrito Federal, que repassam aos municípios. As compras consideram perfil epidemiológico, consumo histórico e outros critérios, sendo crucial compreender a dinâmica dessas aquisições. Objetivo: Analisar a dificuldade em relação a fornecedores dos medicamentos e insumos do Componente Estratégico da Assistência Farmacêutica, com foco no intervalo de 2017 a 2024. Métodos: O estudo, de caráter descritivo e qualitativo, analisou documentos e dados de aquisições públicas do CESAF realizadas pela CGAFME entre 2017 e 2024, utilizando como fontes notas técnicas, análises econômicas e correspondência institucional. A análise documental revelou um mercado restrito e vulnerável a desabastecimentos. Com abordagem exploratória, o trabalho formula hipóteses e recomendações para aprimorar a política pública, priorizando medicamentos estratégicos, fortalecendo a produção nacional e reduzindo riscos da alta concentração de mercado, contribuindo para o debate sobre a governança das aquisições federais desses medicamentos. Resultados: A análise mostrou forte concentração de mercado nas aquisições do CESAF, apesar do aumento no número de fornecedores: 53 (2017-2019), 59 (2020-2021) e 78 (2022-2024). Entre 2017 e 2019, quatro fabricantes concentraram 86,60% do valor adquirido; em 2020-2021, a Macleods Pharmaceuticals sozinha deteve mais de 73%; e, em 2022-2024, os quatro principais ainda somaram 75,33%. Essa dependência de poucos fornecedores expõe o sistema a riscos de desabastecimento e vulnerabilidade contratual, exemplificada pela escassez global de Rifampicina em 2024, causada pelo fechamento da principal fábrica do insumo na China, conforme informado pela OPAS. Conclusões: A elevada concentração de mercado nas aquisições do CESAF evidencia fragilidades do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), marcadas pela dependência de empresas transnacionais e pela limitada autonomia nacional na produção de medicamentos estratégicos, o que amplia riscos cambiais, logísticos e geopolíticos e afeta a balança comercial da saúde. Em contrapartida, a atuação consistente da Fiocruz demonstra o potencial da produção pública para garantir soberania e segurança sanitária. A retomada e o fortalecimento do CEIS como eixo estratégico da política de saúde buscam ampliar a produção local e reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e da dependência tecnológica.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00302
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Copyright (c) 2026 Ivanessa Thaiane Nascimento Calvacanti, Luís Felipe Gomes Larratea, José Roberto Peters, Wendell Rodrigues Silva, Diego Souza Gomes Anunciação, Marcelo Chaves Castro, Gustavo Laine Araújo Oliveira, Anderson José Rocha da Silva