Resumo
Introdução: O impacto orçamentário das incorporações tecnológicas no SUS é geralmente calculado de forma isolada. A ausência de projeções acumuladas pode levar a pressões financeiras inesperadas. Objetivo: Avaliar o impacto orçamentário agregado de 15 tecnologias incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2020 e 2023, considerando estimativas de custo anual e horizonte temporal de cinco anos. Métodos: Estudo de modelagem econômica retrospectiva. Foram analisadas 15 tecnologias incorporadas ao SUS entre 2020 e 2023. Os dados de custo foram extraídos de dossiês de impacto orçamentário disponíveis no site da CONITEC. Para estimar a população-alvos dados do DATASUS e IBGE. Um modelo preditivo em EXCEL simulou o custo agregado em horizonte de 5 anos, considerando taxas de adoção progressivas. Resultados: O impacto orçamentário anual isolado, somando todas as tecnologias, foi de R$ 1,28 bilhão. No modelo cumulativo com adoção progressiva, o valor chegou a R$ 5,94 bilhões ao final de 5 anos, representando 18% do orçamento anual de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. A análise de sensibilidade mostrou que reduções de 15% nos preços, via negociação centralizada ou contratos de desempenho, poderiam gerar economia acumulada de R$ 890 milhões no período. Conclusões: A avaliação do impacto orçamentário cumulativo fornece informações mais realistas para o planejamento financeiro do SUS, apoiando negociações estratégicas e prevenindo desequilíbrios que possam comprometer a sustentabilidade do sistema.

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