Resumo
Descrição do relato: Esta experiência relata uma aula realizada na disciplina de Cuidado Farmacêutico II do curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que contou com a participação ativa do Programa de Extensão TEKOÁ, iniciativa voltada para a promoção da saúde intercultural, com foco nas populações Negra e Indígena. O principal objetivo da atividade foi integrar as diretrizes das Leis nº 10.639/03 e nº 11.645/08, bem como das Diretrizes Curriculares Nacionais, relativas à Educação das Relações Étnico-Raciais (ERER), à formação dos futuros profissionais farmacêuticos. O foco foi discutir o racismo como um determinante social da saúde, buscando sensibilizar os estudantes para estratégias que promovam um cuidado em saúde mais equitativo, inclusivo e culturalmente sensível. A aula foi conduzida por representantes indígenas, negros e imigrantes, integrantes do TEKOÁ - Programa Intercultural de Saúde Negra e Indígena da UFRGS. Esses convidados compartilharam suas vivências pessoais e coletivas, apresentaram dados epidemiológicos que evidenciam as desigualdades raciais e expuseram experiências formativas sob a perspectiva intercultural e antirracista. Dessa forma, a atividade ampliou o debate para além da teoria, incluindo relatos autênticos e baseados nas trajetórias de grupos historicamente marginalizados. Durante a aula, os estudantes participaram ativamente de dinâmicas reflexivas organizadas em uma roda de conversa, na qual foram analisados criticamente dados sobre desigualdades em saúde que atingem especificamente as populações negras e indígenas. Também foram promovidas interações com expressões culturais representativas, como a arte kaingang, tradicionalmente associada aos povos indígenas da região sul do Brasil, e os panegíricos africanos, que expressam a riqueza e diversidade das culturas afro-brasileiras. Essas atividades culturais proporcionaram um contato direto e sensível com as epistemologias e saberes tradicionais, valorizando a pluralidade cultural que deve ser reconhecida e respeitada no exercício do cuidado farmacêutico. A escuta atenta das trajetórias dos convidados possibilitou que os estudantes estabelecessem conexões significativas entre os conteúdos acadêmicos da disciplina e a realidade concreta enfrentada por essas populações, que frequentemente lidam com o racismo estrutural e suas consequências na saúde. Essa integração entre teoria e prática reforçou a importância do papel social do farmacêutico como agente no enfrentamento das desigualdades raciais, reconhecendo o valor das epistemologias plurais e a necessidade de incorporar saberes tradicionais e interculturais na prática clínica cotidiana.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Copyright (c) 2026 Agnes Nogueira Gossenheimer, Clara Maria Muller Schneider, Fernanda Nogueira, Denise Leopoldino Cipriano, Gbètomè Benedicte Kpoudou, Ana Vitória da Silva Ferreira, Ashley Isabelle Medeiros, Renan Venancio Ferreira Lopes
