Resumo
Introdução: A bacteremia por Staphylococcus aureus (BSA) representa um grande risco na pediatria, com significativas taxas
de morbidade e mortalidade. Devido à complexidade da BSA, os desafios clínicos associados e a possibilidade do tempo
prolongado de internação destes pacientes sugere que o ônus financeiro dessa enfermidade pode ser substancial. Objetivo:
Analisar a jornada e o custo da doença do atendimento relacionado a BSA, em um hospital pediátrico, na perspectiva do SUS
como fonte pagadora. Material e Método: Foi realizado um estudo de coorte retrospectiva (CAAE: 47556621.0.0000.5580),
com mapeamento por local de internação para obter a jornada do paciente e análise bottom-up dos custos de hospitalização,
atendidos no sistema público de saúde entre fevereiro de 2014 e agosto de 2021 em um hospital exclusivamente pediátrico
no Sul do Brasil. Foram coletados apenas os custos médicos diretos (medicamentos, exames e procedimentos realizados e
internações, tanto na enfermaria quanto na unidade de terapia intensiva – UTI) do reembolso de cada paciente. Resultados: A
incidência média de BSA na instituição foi de 4 casos ao mês. dos 56 pacientes elegíveis, com idade entre 2 dias e 16 anos,
64,3% (n=36) eram do sexo masculino e 34% (n=19) foram admitidos em UTI), mediana de 30 dias de tempo de UTI (5
a 259 dias) e mediana de 29,5 dias (9 a 259) de internamento total. O custo total da internação para os 56 pacientes foi de
R$1,53 milhões, com mediana de R$6,8 mil (R$427,94 a 237.242,02), média de R$27,3 mil por paciente (DP ± 46,18).
Ainda, 16% (n=9) dos pacientes reinfectaram em até 90 dias após fim da antibioticoterapia (custo médio de R$57 mil por reinfecção).
Destes que reinfectaram, nenhum fez switch oral. Considerando a jornada do paciente, 29% (n= 16) tiveram sua admissão hospitalar
pela emergência SUS (EMERG), 50% (n= 28) tiveram sua internação iniciada por uma enfermaria (ENF), desses, 64% (n=18/28) tiveram
alta no posto inicial; 21% (n=12) foram admitidos diretamente na UTI. No total, dos 25 pacientes que frequentaram a UTI, 21 deles
estavam na ENF previamente e 16% (n=4) vieram da EMERG. Dois pacientes evoluíram ao óbito na UTI e um paciente
necessitou de hemodiálise (HD) durante o internamento. Conclusões: O tratamento de BSA na pediatria traz uma jornada
dinâmica e um custo elevado para o SUS, e ressalta ainda mais a importância do cuidado especializado por meio da equipe
multiprofissional. O incentivo a switch oral para completar o tratamento domiciliar pode ser uma alternativa interessante para
desospitalização, redução de reinfecção e custos para o sistema de saúde. Ademais, a análise do custo hospitalar da doença
possibilita para o gestor, juntamente com o delineamento da jornada do paciente, uma reflexão analítica sobre a criação de uma linha de cuidado de BSA, sendo essa uma importante ferramenta de gestão da qualidade da assistência que pode subsidiar a tomada de decisões, oportunizando melhor alocação de recursos.

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