Resumo
Introdução: Os antibióticos representam uma classe de medicamentos largamente utilizada em
todo o mundo. O tratamento e a prevenção de infecções bacterianas são realizados através de
antibióticos naturais ou sintéticos que inibem o crescimento ou causam a morte de fungos e
bactérias. A ampla prescrição e os mecanismos de resistência bacteriana são fatores que exigem
um melhor gerenciamento da dispensação e uso racional destes medicamentos. Objetivo: Analisar
o perfil de dispensação de antibióticos em uma unidade básica de saúde (UBS), no período
de 2009 a 2017, em Salvador/Ba. Métodos: Foram coletados dados do consumo médio mensal
(CMM) de antibióticos, de 2009 a 2017, no sistema Sisfarma 2.0® (sistema de controle de
Farmácias da Prefeitura de Salvador/Ba). A análise estatística foi realizada no Programa Microsoft
Office Excel®, cujos medicamentos foram compilados em sete grupos: β-lactâmicos (G1);
macrolídeos (G2); quinolonas (G3); lincosamidas (G4); fármacos para tratamento de tuberculose
e hanseníase (G5); sulfonamidas (G6) e aminoglicosídeos (G7). Resultados: Os dados apresentaram
uma disparidade entre o consumo dos β-lactâmicos e os demais grupos dispensados
nessa UBS. Observou-seuma prevalência na dispensação de fármacos do G1, durante os 9 anos
analisados, pois é uma classe de amplo espectro, sendo a amoxicilina e a cefalexina com maior
CMM.Os medicamentos para tratamento de hanseníase e tuberculose(G5) apresentaram o segundo
CMM na UBS em todo o período estudado, podendo fazer uma correlação com a elevada
prevalência dessas doenças na Bahia. Os macrolídeos são um grupo de amplo espectro sendo
uma opção a pacientes alérgicos a β-lactâmicos; azitromicina e claritromicina foram os fármacos
mais dispensados na UBS. O G3, representado pelo norfloxacino (400mg) e ciprofloxacino
(250 e 500mg), todos na apresentação de comprimidos, mostrou uma dispensação inferior ao
G1. A clindamicina foi o fármaco do grupo das lincosamidas (G4) que teve menor dispensação,
apenas nos anos de 2013 e 2014. Para o G6, houve maior dispensação do sulfametoxazol
(400mg) associado à trimetropina (80mg) comprimidos, em comparação à suspensão oral.
No que se refere ao G7, observou-se que estes fármacos representaram dispensação irrisória.
A neomicina associada à bacitracina (pomada) e a tobramicina (pomada e solução oftálmica)
registraram CMM de apenas 1 unidade, nos anos de 2013 e 2016. Conclusão: Os dados levantados
demonstraram uma disparidade no CMM entre as classes de antibióticos, tendo os
β-lactâmicos como os mais distribuídos pela UBS, do Distrito Sanitário Cabula – Beiru, em
Salvador/Ba. Este trabalho aponta para uma necessidade de um estudo sobre as prescrições de
antibióticos na unidade, a fim de verificar a racionalidade na dispensação desses medicamentos
para um tratamento mais efetivo das infecções bacterianas.

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