Resumo
Introdução: A assistência farmacêutica integra as ações de atenção à saúde relacionadas ao uso de medicamentos, prevenção de problemas associados à farmacoterapia e segurança do paciente. Nos serviços de pronto atendimento, especialmente em municípios litorâneos com aumento sazonal da demanda, a presença do farmacêutico contribui para a qualificação do cuidado, oferecendo suporte técnico à equipe multiprofissional e subsidiando decisões terapêuticas mais seguras. Este relato tem como objetivo descrever a experiência da atuação do profissional farmacêutico em um Pronto Atendimento da rede pública municipal, destacando as atividades desenvolvidas, os desafios enfrentados e as contribuições para o aprimoramento da assistência. Material e Método: Trata-se de um relato, descritivo e reflexivo, realizado a partir da atuação de uma farmacêutica em um Pronto Atendimento público localizado no litoral do Espírito Santo, no período de dezembro de 2022 a fevereiro de 2025, em plantões semanais de 24 horas, em uma unidade com média de 150 atendimentos diários. Foram desenvolvidas atividades clínicas e gerenciais, incluindo avaliação de prescrições quanto à indicação, doses, vias de administração, duplicidades terapêuticas, interações e disponibilidade dos medicamentos padronizados, além do gerenciamento de estoques, controle da dispensação de produtos sujeitos à regulamentação específica, monitoramento de itens críticos e suporte técnico à equipe. Considerou-se as práticas realizadas, desafios, contribuições para a segurança do paciente e organização dos processos. Resultados: Na análise das prescrições, identificaram-se necessidades de ajustes de dose, duplicidade terapêutica e adequação à disponibilidade institucional. As intervenções junto aos prescritores envolveram discussão de alternativas terapêuticas e orientações relacionadas à farmacoterapia. No âmbito gerencial, observou-se melhoria na organização dos estoques, controle de validade e redução de perdas de medicamentos. Discussão : Os achados evidenciam a relevância da presença do farmacêutico no pronto atendimento para a identificação precoce de problemas relacionados à farmacoterapia e para o fortalecimento da comunicação entre os profissionais. O elevado volume de atendimentos e a necessidade de respostas rápidas constituíram desafios importantes, exigindo a conciliação entre demandas clínicas e administrativas. A ausência de indicadores estruturados limitou a mensuração objetiva do impacto das intervenções. Conclusão: A atuação farmacêutica no Pronto Atendimento favoreceu o uso racional, a segurança do paciente e a organização dos processos relacionados à terapia medicamentosa. A presença desse profissional possibilitou identificar riscos e promover melhorias no cuidado, para uma assistência mais qualificada. Recomenda-se o fortalecimento da assistência farmacêutica nos serviços de urgência e emergência por meio de protocolos institucionais, educação permanente e desenvolvimento de indicadores capazes de avaliar o uso seguro e efetivo dos medicamentos.

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