PE-61 Polifarmácia e problemas relacionados a medicamentos em pessoas com dor crônica atendidas em um ambulatório de especialidades do SUS

Palavras-chave

Dor Crônica; Polifarmácia; Problema Relacionados a Medicamentos

Como Citar

Santos, B. A., Tamanini, B. A., Silva, M. B. B., Hemerly, J. P., & Luz, A. A. D. C. (2026). PE-61 Polifarmácia e problemas relacionados a medicamentos em pessoas com dor crônica atendidas em um ambulatório de especialidades do SUS. JORNAL DE ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E FARMACOECONOMIA, 11(s.5). https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00662

Resumo

Introdução: A dor crônica representa uma condição de elevada prevalência e importante impacto sobre a qualidade de vida, frequentemente exigindo tratamentos farmacológicos prolongados. A utilização concomitante de medicamentos favorece a polifarmácia, condição em que há uso de cinco ou mais medicamentos, aumentando o risco de problemas relacionados a medicamentos (PRM), que podem comprometer a efetividade e a segurança da farmacoterapia. Material e Método: Caracterizar a prevalência de polifarmácia e de PRM em pacientes com dor crônica atendidos em um ambulatório de especialidades do Sistema Único de Saúde.  Trata-se de um estudo observacional e descritivo, com abordagem quantitativa, realizado no Ambulatório Integrado de Dor Crônica (AIDC) no Centro Regional de Especialidades Norte, em São Mateus, Espírito Santo. Foram incluídos dados analisados do período de novembro de 2024 a maio de 2026.Os participantes foram pacientes adultos em tratamento de dor crônica atendidos no AIDC. As informações sociodemográficas, clínicas e relacionadas à farmacoterapia foram coletados durante o atendimento farmacêutico, realizado após a consulta médica. A dor foi classificada por meio da escala visual analógica (EVA) de acordo com a intensidade da dor. Os dados foram documentados em um formulário adaptado do Método Dáder e a análise foi realizada por meio da estatística descritiva. O estudo foi conduzido conforme o Comitê de Ética em Pesquisa, conforme Parecer nº 7.237.808. Resultados: Foram analisados dados de 110 pacientes, com predominância do sexo feminino (93%) cuja idade média foi de 54 anos. Em relação às principais causas, observou-se predominância de fibromialgia (55%; n=61), seguida por lombalgia (16%; n=18), artrose (12%; n=13), artrite (8%; n=9), cervicalgia (7%; n=8), enxaqueca (6%; n=7). A intensidade da dor severa foi relatada por 65% (n=72), 30% (n=33) como moderada e dor leve por 5% (n=5) dos pacientes. Quanto às condições crônicas associadas, a hipertensão arterial sistêmica foi identificada em 51% (n=56) dos pacientes, seguida por dislipidemia em 10% (n=11) e diabetes mellitus em 11% (n=12). A polifarmácia foi identificada em 85% (n=94) das participantes. Quanto aos problemas relacionados a medicamentos, 43% (n=47) dos participantes apresentaram pelo menos um PRM, sendo o erro de administração (34%; n=16) o mais prevalente. Ainda, a não adesão ao tratamento e automedicação foram identificadas em 19% (n=9, cada) e 15% (n=7) apresentaram reações adversas a medicamentos, além de outros PRM identificados durante o acompanhamento farmacêutico. Discussão : A elevada prevalência de polifarmácia evidencia a complexidade da farmacoterapia em pessoas com dor crônica, frequentemente associada a múltiplas comorbidades e uso prolongado de medicamentos. A ocorrência de PRM reforça a importância do acompanhamento farmacoterapêutico para identificação precoce desses problemas, prevenção de eventos adversos e otimização do tratamento. Conclusão: Observou-se elevada prevalência de polifarmácia e de problemas relacionados a medicamentos entre pessoas com dor crônica atendidas no ambulatório. Nesse contexto, o acompanhamento farmacêutico contribui para a identificação e resolução de PRM, revisão da farmacoterapia, promoção do uso racional de medicamentos e maior segurança do paciente.

https://doi.org/10.22563/2525-7323.2026.v11.e00662
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